Em um ato de ousadia histórico, fotógrafos no Palácio do Planalto se recusaram a fotografar o presidente João Figueiredo em 1984, após atritos e restrições impostas pelo general. O gesto conhecido como “Máquinas ao chão” marcou a resistência dos profissionais da imagem durante a ditadura no Brasil. Figueiredo havia provocado tensões ao restringir o acesso dos fotógrafos ao seu gabinete e ao desrespeitar suas solicitações durante eventos.
A situação se agravou quando os fotógrafos, os únicos permitidos a registrar as reuniões presidenciais, compartilharam informações com os repórteres de texto, resultando no bloqueio do acesso ao gabinete. Diante de tantas limitações, em 24 de janeiro de 1984, os fotógrafos decidiram colocar suas câmeras no chão ao ver o presidente descer a rampa, em um ato simbólico de protesto. Após esse episódio, os profissionais foram novamente chamados para eventos no Palácio do Planalto.
O documentário “A Culpa é da Foto”, lançado em 2015 por André Dusek, Eraldo Peres e Joédson Alves, eternizou esse momento de resistência. O episódio foi considerado um protesto único realizado por jornalistas credenciados do Palácio do Planalto contra um ditador. A bravura e a determinação dos fotógrafos envolvidos nesse ato de resistência se tornaram um símbolo para os jornalistas brasileiros, relembrando a importância da liberdade de imprensa e da atuação profissional em contextos desafiadores.
Com informações de Marcelo Brandão. – EBC
